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Prêmio Nobel de Medicina 2023 – O uso de patentes na proteção da pesquisa básica e aplicada

Por Luiz Alberto Rosenstengel e Michele Pittol
22/01/2024

Investigações científicas conduzidas para ampliar o conhecimento e compreensão dos conceitos fundamentais em um determinado campo de estudo são o cerne da pesquisa básica, sendo essenciais para o avanço do conhecimento científico. A seguir vem, inapelavelmente, a aplicação desses novos conhecimentos para a geração de bens econômicos.

Porém, enquanto se persiste na busca por um maior conhecimento dos fenômenos naturais, também é preciso estar atento para a proteção da produção intelectual. Assim, é possível proporcionar a ampla divulgação do conhecimento e inovação produzidos em determinada área, bem como o aproveitamento desse conhecimento para benefício social, sem, contudo, descuidar do direito de exploração econômica e reconhecimento de autoria da produção intelectual, muitas vezes resultado de anos de pesquisa com investimento humano e financeiro.

Veja o exemplo dos ganhadores do prêmio Nobel de Medicina de 2023, Katalin Karikó e Drew Weissman, que após décadas de estudo sobre o RNA mensageiro (mRNA) e artigos científicos publicados, viram seus esforços de pesquisa serem aplicados no desenvolvimento das vacinas para combater o novo coronavírus SARS-CoV-2, que mesmo em um contexto de avanços tecnológicos, médicos e de comunicação, em menos de três meses, varreu países ao redor do mundo tornando-se uma doença pandêmica.

Há muitos anos cientistas descobriram que o mRNA poderia ser usado para vacinas, porém, a natureza instável do mRNA, problemas relacionados à proteção dessas moléculas para a entrega em células animais, incapacidade de ultrapassar a membrana celular, entre outras questões, conferia desafios para seu uso como imunizante e em novos medicamentos.

Karikó e Weissman descobriram que uma modificação de bases nucleotídicas na molécula de RNA (substituição da uridina com análogos dela, como pseudouridina), além de uma estrutura de entrega que utiliza nanopartículas lipídicas, poderia reduzir sua imunogenicidade e resposta inflamatória agressiva, tornando-a mais adequada para utilização em medicamentos ou vacinas, além de mais estável e com melhor rendimento.

Dessa forma, ao combinar suas descobertas com estudos científicos anteriores, Karikó e Weissman foram capazes de modificar o mRNA de uma forma que pudesse entrar nas células, evitando a resposta inflamatória e toxicidade, sem interferir nas respostas imunológicas desejadas. Assim, o mRNA injetado origina a proteína spike do SARS-CoV-2, desencadeando a produção de anticorpos específicos que serão recrutados no caso de a pessoa vacinada vir a ter contato com o vírus SARS-CoV-2, com consequente neutralização do vírus.

Ao longo dessa trajetória, Karikó, Weissman e as instituições onde eles desenvolveram pesquisas não se descuidaram da proteção da propriedade intelectual. Desde 2006 Karikó e Weissman constam como inventores em patentes de titularidade da Universidade da Pensilvânia e da empresa de biotecnologia BioNTech, US8278036, US8691966, US8748089, US8835108, US9371511 e US9750824, cujos escopos de proteção revela RNA contendo nucleosídeos modificados e métodos de uso do mesmo, além de métodos para reduzir a imunogenicidade de moléculas de RNA.

Como comentado acima, essa inovação levou ao rápido desenvolvimento das vacinas para COVID-19 com o uso da tecnologia de mRNA, sendo fundamental para enfrentar a Emergência de Saúde Pública, além de poder ser aplicada no tratamento de outras doenças, como o câncer.

No decorrer da carreira de ambos os cientistas, também foram estabelecidas parcerias de colaboração em pesquisa com empresas da área, licenciamentos das patentes, além da migração de pesquisadores do meio acadêmico para o meio empresarial, com Karikó tornando-se vice-presidente sênior da BioNTech em 2013.

Desse modo, a chave para um ambiente profícuo para inovação e progresso da ciência, com aumento da competitividade e desenvolvimento econômico, está na parceria e colaboração entre universidade e indústria, academia e setor produtivo em um ecossistema coeso de relações entre os agentes de inovação, sem renunciar da proteção. Essa negociação é fortemente baseada em direitos de propriedade industrial, especialmente através de alienação de patentes.

 

por Luiz Alberto Rosenstengel – Engenheiro Mecânico, sócio da Leão; Dra. Michele Pittol – Doutora em Biologia, assistente de Patentes da Leão.

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